05/02/14
Uma manhã para prestar contas e, sobretudo, agradecer. Com esse objetivo, militares do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil Estadual reuniram representantes de entidades e órgãos governamentais e não-governamentais, além de empresários de diversos setores na manhã desta quarta-feira, 5 de fevereiro, na sede da Aspomires (Associação dos Militares da Reserva, Reformados, da Ativa da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros Militar e Pensionistas de Militares do Estado do Espírito Santo), em Bento Ferreira. Na ocasião, o Coordenador Estadual de Proteção e Defesa Civil e coronel do Corpo de Bombeiros, Carlos Marcelo D´Isep Costa, e o comandante geral do Corpo de Bombeiros, coronel Edmilton Ribeiro Aguiar Júnior, apresentaram o Relatório Operacional das Chuvas no Espírito Santo.
Dentre os muitos presentes ao evento estavam o vice-governador do Estado, Givaldo Vieira, representante do governador, Renato Casagrande, os presidentes do Transcares e do Espírito Santo em Ação, Liemar Pretti e Luiz Wagner Chieppe, respectivamente, o superintendente da Fetransportes, Sandro Perovano, que representou o presidente, José Antonio Fiorot, a presidente do GVBus, Simone Chieppe Moura, os empresários do segmento de cargas, Flávio Fernandes, da Transportadora Suíça, e Alexandre Ceto, da Transportadora Giori, e o diretor da Faesa Geovani Borgo.
A tragédia foi considerada a pior da história do Estado e os números justificam esse “status”. Foram 16 dias de chuva (o período mais intenso aconteceu entre 12 e 27 de dezembro), 55 municípios afetados e 3.452.872 pessoas afetadas – desse total, 61.773 desabrigados e desalojados, e 24 mortos.
Em sua apresentação, o Coordenador Estadual de Defesa Civil falou da importância do trabalho em conjunto realizado pela corporação – “nós ficamos responsáveis pela ajuda humanitária e o Corpo de Bombeiros com a questão operacional” – e disse que a mudança do Centro de Distribuição do quartel, na Enseada do Suá, para o Pavilhão de Carapina, em Serra, foi de fundamental importância. “O quartel ficou pequeno para a quantidade de donativos que recebemos”, justificou D´Isep.
E enquanto citava as ações desenvolvidas naquele período crítico, o coronel pediu licença aos demais parceiros para fazer dois registros: o primeiro à Cesan, que diante da necessidade urgente de levar água às áreas mais afetadas, conseguiu 24 mil litros. E o segundo ao Espírito Santo em Ação e ao Transcares, que através de uma parceria com a Federação das Empresas de Transportes de Carga de Minas Gerais (Fetcemg), conseguiu dois bitrens, ambos da Transportadora D´Angelis, para fazer o transporte de três mil cestas básicas que haviam sido doadas pelo governo federal e estavam no depósito da Conab, em Montes Claros.
“Ganhamos essas três mil cestas no dia 19, mas elas precisavam ser retiradas até 23 de dezembro. Conseguimos os bitrens, que transportaram 44 toneladas de mantimentos e chegaram ao Pavilhão de Carapina na manhã do dia 25 de dezembro. E além do transporte das cestas, é impossível não destacar a atuação de empresas de cargas associadas ao Transcares, e nela cito o nome do coronel Mario Natali, grande facilitador dessa interação entre o Centro de Distribuição e os empresários do transporte de cargas no trabalho incansável e no êxito da logística de remessa dessas doações. Não adiantava termos mantimentos se não tivéssemos o transporte”, finalizou D´Isep.
Para o comandante geral do Corpo de Bombeiros, coronel Edmilton Ribeiro Aguiar Júnior, que fez sua apresentação logo depois do colega D´Isep, tão importante quanto a atuação da corporação foi a solidariedade da população capixaba.
“Apesar de todo nosso esforço e de termos todos os municípios do Estado mapeados, não estávamos preparados para uma tragédia daquela magnitude. E nesse contexto, a sociedade as instituições e entidades parceiras fizeram toda a diferença”, elogiou Ribeiro, antes de dar alguns números das operações: 22 instituições envolvidas, mais de 1.500 homens trabalhando dia e noite, nove helicópteros, três aviões, 50 militares no transporte de tropa, 25 toneladas de mantimentos e donativos, 250 pessoas responsáveis pelo transporte de pessoas enfermas e isoladas e R$ 1.415.760 milhão doados em conta bancária.
“Estávamos pensando em como melhor usar esse valor. Doar o dinheiro às vítimas acabaria com o comércio das regiões mais afetadas, que já está bastante sofrido. Então, através de uma boa ideia do governo, vamos entregar o Cartão Reconstrução, no valor de R$ 2.500, que além de ajudar a população vai movimentar a economia dos municípios”, justifica o comandante, que fez um emocionante elogio à sua tropa o final da apresentação. “Aqui fazemos o que amamos e amamos o que fazemos”, diz.
Antes de encerrar sua participação, Ribeiro entregou um exemplar do Relatório Operacional ao vice-governador, Givaldo Vieira, que ficou responsável pelo encerramento oficial do evento. E suas palavras também foram de agradecimento.
“Diante de uma situação como aquela, de tragédia e comoção, fazer uma prestação de contas é primordial. Porém, tão importante quanto mostrar o que foi feito é agradecer. Agradecer às doações e à parceria de entidades, instituições, imprensa e, principalmente, aos anônimos que se juntaram a nós nessa corrente de solidariedade”.