Componentes tarifários: empresas necessitam cobrar preço justo pelo frete

Custo do frete é um assunto recorrente no segmento do transporte rodoviário de cargas e logística. E o tema voltou a ser o centro das discussões no Transcares, que trouxe ao Estado o engenheiro e Assessor Técnico da NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística), Lauro Valdívia, o coordenador d
a Câmara Técnica de Carga Fracionada da NTC e diretor-presidente da Patrus, Marcelo Patrus, e o diretor do Setcesp (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de São Paulo) e diretor-presidente da Jamef Transportes Urgentes, Adriano Depentor, para debater sobre os componentes tarifários do TRC no segmento de cargas fracionadas.

Um total de 45 pessoas participou do evento, que também contou com a presença do presidente e do Diretor Operacional de Carga Fracionada do Transcares, Liemar Pretti e Marcos Furtunato, respectivamente.

Esse foi o quinto debate sobre os componentes tarifários. Antes do Espírito Santo, ele há havia sido realizado em São Paulo – o evento, realizado no Setcesp, reuniu mais de 200 pessoas –, Rio Grande do Sul, Belém e Minas Gerais.

“Por que estamos debatendo este assunto? Porque os empresários e suas equipes, principalmente as do setor comercial, precisam rever seus custos, entender melhor seu negócio e passar a cobrar um preço justo pelos seus serviços”, ressaltou Liemar Pretti na abertura do evento.

Diretor Operacional de Carga Fracionada do Transcares, Marcos Furtunato defender o posicionamento de Pretti ao destacar que os empresários desse segmento trabalham com uma expectativa de custo, e que essa é uma grande dificuldade para o segmento. “Qualquer variável interfere no nosso custo: fatores climáticos, trânsito e até o humor da pessoa que vai receber nosso produto. Então, se não soubermos ‘precificar’ nosso serviço, teremos muitas dificuldades em conseguirmos manter nosso negócio de pé”.

Coordenador da Câmara Técnica de Carga Fracionada da NTC e diretor-presidente da Patrus, Marcelo Patrus aproveitou o evento para divulgar a tabela referencial de custo do TRC, que, segundo ele, deve servir de base para o cálculo do custo do frete. “Costumo dizer que essa tabela é, na verdade, uma cartilha que devemos estudar e entender, para explicar aos nossos clientes, e seguir no nosso dia a dia. Precisamos falar a mesma língua”.

Lauro Valdívia iniciou sua apresentação sobre os componentes tarifários do TRC com um dado preocupante. Das 10 maiores empresas do segmento que “nasceram” em 1975, apenas uma continua em atividade (Atlas). E quatro das grandes que foram criadas no ano 2000 já decretaram falência.

“O lucro é uma necessidade da empresa. Seja para crescer ou para reinvestir, organização sem lucro não consegue sobreviver, pois o clico econômico vive de altos e baixos”, argumentou.

E Valdívia chamou a atenção para outro detalhe. Segundo ele, o cliente enxerga a atividade de transporte como algo muito simples, mas não é, pois envolve toda uma cadeia operacional. “O sistema tarifário do TRC é composto por cinco componentes básicos: taxa de despacho (coleta e entrega), frete transferência (tabelas faixa km), frete valor (despesas com indenizações de mercadoria não cobertas por seguros), Gris (Gerenciamento de Risco, que cobre custos resultantes de medidas contra roubo de cargas) e generalidades (que servem para ressarcir custos não previstos nos demais componentes do frete, como por exemplo, taxa de permanência de carga, cubagem, devolução, estadia de veículos e pedágio, entre outros). E para cobrar o frete, temos que trabalhar com esses cinco itens”, garantiu.

Sobre os componentes tarifários, Adriano Depentor ainda fez uma ressalva. “Nós não podemos isentar o cliente de pagar o frete valor, mesmo que ele alegue que está pagando o seguro da carga, porque o seguro é apenas um componente do frete valor”.

O debate desta terça deixou claro que os preços aplicados no mercado capixaba estão aquém da tabela referencial da NTC, que foi organizada a partir de dados passados por 16 empresas do setor. E diante dessa realidade, Marcelo Patrus deixou seu recado. “O mercado está mudando. Se todo mundo passar a cobrar o preço justo pelo seu negócio, tendo como base as informações que estão contidas em nossa tabela, o cliente vai pagar”.