Procura-se: estão faltando mais de 10 mil caminhoneiros no Espírito Santo


Alta tecnologia, pouca qualificação e grande demanda, provocada pelo aumento do consumo e da produção. Juntos, esses três fatores desencadearam uma situação, no mínimo, delicada em um dos setores de produção que mais movimentam a economia: segundo dados do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado do Espírito Santo (Transcares) estão faltando mais de 10 mil caminhoneiros no Espírito Santo. E o problema não é apenas local. De acordo com a Associação Nacional de Transporte de Cargas e Logística (NTC & Logística), existe, hoje, uma defasagem de cerca de 120 mil novos motoristas em todo o Brasil.

“Está faltando profissional capacitado para conduzir os novos veículos do mercado, que chegam dotados de inúmeras novidades tecnológicas. Precisamos capacitar nosso motorista para que ele possa usufruir dos benefícios que esse equipamento oferece. Algumas empresas que fazem transporte rodoviário de cargas e logística estão com caminhões novos parados porque não existem profissionais no mercado aptos para conduzi-los”, destacou o presidente do Transcares, José Antônio Fiorot.

Acompanhando as tendências do mercado de trabalho, o setor de transportes também está mais exigente na escolha de seus colaboradores. Portanto, de acordo com o dirigente, para ser caminhoneiro, atualmente, não basta apenas saber dirigir. Além da Carteira de Habilitação e da experiência, é necessário, dentre outras coisas, noções de legislação. “Saber o produto que está transportando e qual a melhor maneira de fazer esse transporte é fundamental, só que muitos motoristas ainda não possuem esse conhecimento, essa orientação, e acabam perdendo espaço. Nos dias de hoje, só habilidade para dirigir o veículo não emprega ninguém”, alerta.

No Espírito Santo, mais de quatro mil empresas trabalham com transporte de cargas e logística – a maioria atua como subcontratada ­–, e dessas, 181 são associadas ao Transcares. No intuito de tentar reduzir a preocupante falta de profissionais, seja formando mão de obra ou qualificando a já existente, o setor tem se organizado junto ao SEST SENAT na busca por cursos de capacitação. Parcerias estão sendo feitas para oferecer, nos centros de aprendizagem, treinamentos que atualizem e atraiam os interessados em se tornarem motoristas profissionais.

Um dos projetos já consolidados é o Universidade do Caminhoneiro, cujo lançamento está marcado para 8 de fevereiro, a partir das 8h30, no SEST SENAT de Cariacica. Através dele será oferecido o curso de Excelência Profissional/Condução Segura e Econômica. No Espírito Santo, ele acontecerá nas cinco unidades capixabas do SEST SENAT, Cariacica, Viana, Cachoeiro de Itapemirim, Colatina e São Mateus.

“Por muitos anos a categoria ficou desestimulada a buscar atualização profissional, mas agora, com a alta demanda pelo transporte rodoviário e num reflexo do mercado de trabalho, essa realidade precisa mudar. Para se ter uma ideia, empresas estão exigindo Ensino Médio completo de seus candidatos a caminhoneiros”, destacou Fiorot, lembrando um dado que reforça ainda mais a importância do TRC no Brasil. “Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), 60% da carga nacional é transportada por rodovias”.

Além disso, dados do IBGE, de 2008, mostram que as atividades de transporte rodoviário, incluindo transporte de passageiros e de cargas, geraram R$ 88 bilhões de receita operacional líquida e pagaram R$ 15 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações, empregando 1,2 milhão de pessoas. Desse total, 645.176 pessoas estavam empregadas no segmento de cargas e logística.


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